O David
estava à minha frente e eu simplesmente o puxei para mim e beijei-o, sem mais
nem menos. Não me pareceu que ele não quisesse, muito pelo contrário.
Quando eu
terminei o beijo ficámos os dois a olhar um para o outro.
- Eu
tenho de voltar para terra antes que a policia marítima venha aí.
Eu
sorri-lhe e ele saiu de água. Eu continuei por lá... nadei bastante pois não
sabia o que fazer quando saísse de água.
Quando
sai, fui até à toalha e a Inês e o Nando estavam a falar sobre qualquer coisa
que ia haver hoje à noite.
Eu não
tomei muita atenção a isso, simplesmente me queria deitar e não queria falar
com o David... não que não quisesse fazer o que fiz, mas não sabia o que lhe
dizer.
-
Estiveste muito bem dentro de água, menina Marta - disse a Inês ao meu ouvido.
Eu
olhei-a e ela piscou-me o olho.
- Viste?
- Acho
que meia praia viu... pronto as pessoas que cá estão, já que não está muito
cheia.
- Ai...
que vergonha.
-
Vergonha, Marta? Quantas raparigas queriam fazer o que tu fizeste!?
- Sei
lá... e agora? Eu não vou conseguir falar com ele...
- Vais sim... tu consegues, eu sei que sim.
- E se
não conseguir?
- Ele
consegue.
- E o que
é que eu faço?
- Vens
connosco à festa hoje à noite.
- Que
festa?
- Aqui na
praia... logo à noite.
- Ele
deve cá estar...
- E?
Sempre podem falar e já que gostam tanto do mar, podem dar um passo em frente.
- Que
passo Inês?! Eu não vou dar passo nenhum...
- Não é
desta que arranjas um namorado?
- Penso
que não.
- Sempre
é melhor pensar que não e depois arranjares.
- És tão
casamenteira, tu!
- Eu sei
que sim... o amor faz destas coisas - ela olhou para o Nando que mais parecia
estar a dormir.
- Uiii.
- Mas
como é? Vens à festa connosco, certo?
- Sim...
não é que me apeteça fazer de velinha, mas pode ser que me faça bem...
- Vai
fazer milagres.
- A ver
vamos.
Ficamos
na praia até à hora de almoço e depois levei-os a almoçar numa esplanada
bastante agradável e andámos a passear a tarde toda.
Voltamos
a casa eram 18:55h. Enquanto eles foram tomar duche e prepararem-se para a
festa eu comecei a preparar o jantar. Quando eu fui tomar duche e vestir-me
eles ficaram a olhar pelo jantar e a meter a mesa.
Jantámos
tranquilamente e depois de arrumarmos a cozinha fomos os três para a praia.
Quando lá
chegámos já lá estava bastante gente. Havia um DJ, uma fogueira e o café da
praia estava aberto. O ambiente era de diversão e esperava-nos uma noite de
dança.
Fomos
para o areal e encontramos os meus amigos. Apresentei-os à Inês e ao Nando e
começámos a dançar.
A música
estava contagiante, super animada e toda a praia dançava.
- Agora
para aqueles mais românticos, uma músiquinha ligeira - anunciava o DJ.
Começaram
a formar-se casalinhos para dançar e eu fiquei de parte... não tinha par para
dançar... não existia a outra parte de mim para dançar, não havia casalinho.
- A
menina dá-me a honra desta dança - disseram-me ao ouvido e a voz não podia ser
mais familiar... era o David.
Eu
virei-me para ele e assenti-lhe com a cabeça. Ele colocou as suas mãos na minha
cintura e eu enrolei os meus braços no seu pescoço.
Deixamo-nos
levar pela música, acabando mesmo por nos beijar novamente. A segunda vez no
mesmo dia.
Quando a
música acabou senti uma vontade enorme de fugir, mas o David agarrou-me na mão
e começou a caminhar.
Eu fui
com ele e só paramos quando chegámos às rochas.
Tínhamos
o mar mesmo ao pé de nós e vista privilegiada para a festa.
- Espero
que não fujas mais, Marta.
-
Desculpa David... é muito complicado...
- Porque?
- Porque
eu o torno muito mais complicado do que é...
- Tu?
- Sim...
eu devia me deixar levar pelos momentos e começar relações, mas quando alguém
tenta eu fujo sempre.
- E vais
começar a fugir menos ou não?
- Eu
estou disposta a tentar... mas eu não sei - eu sentei-me e ele fez o mesmo.
Ficamos
os dois a olhar um para o outro e eu coloquei a minha cabeça no seu ombro.
- Eu só
queria ter a certeza que não perdia alguém de quem eu goste mesmo.
- E
porque achas que isso pode acontecer?
- Por
causa do que aconteceu aos meus pais... desde essa altura que eu sou assim.
- É
compreensivel... mas tu tens de tentar, nem que seja só um amor de Verão.
Eu
olhei-o e os olhos dele brilhavam tanto como o reflexo da lua no mar.
- Eu
adorava tentar... - aproximei-me mais dele e beijei-o.
Ao inicio
foi um beijo calmo, mas acabou por se tornar um beijo escaldante, carregado de
desejo.
Fiquei
sentada no meio das pernas dele, virada para o mar, com ele a beijar-me o
pescoço.
- David...
eu queria pedir-te uma coisa.
- Diz.
-
Perdoa-me por qualquer coisa que eu tenha feito.
- Não
fizeste nada de mais...
- Tenta
compreender atitudes minhas mais complicadas, sim? Eu vou tentar não ser tão
fechada... mas é complicado.
- Eu vou
perceber tudo... não te preocupes.
Ficamos
algum tempo ali os dois num completo silêncio, mas que serviu para nos
aproximarmos mais.
Acabamos
por voltar para a praia mas como não poderia deixar de ser, e como qualquer
pessoa que se preste a mostrar todo o seu plástico ao mundo, tinha de estar
presente nesta festa.
Ainda nem
tínhamos chegado onde a multidão estava, já a Beatriz se estava a aproximar de
nós toda senhora do seu nariz.




