sexta-feira, 23 de março de 2012

3º Capitulo: Ao luar, ao pé de ti.

Tive receio de ver quem era mas olhei... era o David. Respirei de alivio e ele sentou-se a meu lado.
- Desculpa se te assustei.
- Por um tempinho... - limpei algumas lágrimas teimosas que teimavam em cair-me pela face.
- E é um crime estares triste.
- Este sitio traz-me saudades...
- Queres falar?
- Não... não te quero aborrecer.
- Ver-te assim também não ajuda... podes falar comigo - ele chegou-se para perto de mim e eu coloquei a minha cabeça no seu ombro.
- Os meus pais morreram à 3 anos - desabafei.
- Sinto muito...
- Nós eramos super ligados e só agora é que consegui voltar cá - comecei a chorar outra vez e o David colocou os seus braços à minha volta e puxou-me ainda mais para junto dele.
- Eu sinto muito, Marta.
- Eu tento conformar-me e até parece que superei a morte deles mas depois nestas alturas vou abaixo.
- Deve ser dificil...
- Mas eu não te quero chatear com isto... - eu afastei-me um bocadinho dele e limpei as minha lágrimas.
- Se estivesses a chatear eu deixava-te a chorar sozinha e ia-me divertir.
- Obrigada.
- Não sei do que... não estou a fazer nada de mais.
Não resisti e abracei-o. Ele agarrou em mim e colocou-me sobre as suas pernas. Eu encostei a minha face ao peito forte e sólido dele.
Ficámos algum tempo assim.... ele mexia-me no cabelo e eu tentava nao chorar.
- Quem nos estiver a ver vai começar a fazer filmes - afirmei.
- Deixa-os fazer... nós sabemos a realidade.
- Tens razão.
- Estás melhor?
- Bastante.
- Ainda bem.
- Tenho uma proposta - afastei-me do peito dele e olhei-o nos olhos - está uma noite tão amena e temos o mar aqui ao pé de nós... vamos à água? - ele riu-se.
- Eu nem tenho calçoes de banho.
- Deves ter boxer's não?!
- Bora!
Levantámo-nos, despimo-nos e deixamos as nossas roupas umas em cima das outras. Corremos até ao mar de mão dada e mergulhámos. Quando voltámos à superfície da água desmanchamo-nos os dois a rir.
- Se me afogasse agora tinha a certeza de que me salvavam - disse eu.
- Olha que não sei não... eu podia virar costas e deixar-te aí.
- Tens piada tu - cheguei perto dele e tentei afogá-lo e depois ele a afogar-me a mim - não me digas que me vais afogar só para depois dizeres que me salvas-te? - rimo-nos os dois e ele agarrou-me pela cintura. Sentir o peito descoberto dele nas minhas costas fez lembrar-me que ele tinha o corpo bastante musculado - tinha saudades disto...
- Da parte de te afogares, de te meteres dentro de água que nem uma maluca ou confiares num rapaz que mal conheces?
- Sinceramente - virei-me de frente para ele e agarrei-o pelo pescoço - tinha saudades de me sentir tão bem... há muito tempo que não me sentia como me estou a sentir.
- Devo ficar contente por estar ao pé de ti e ajudar-te um bocadinho?
- Deves - as nossas caras começaram a aproximar-se, estando cada vez mais próximas uma da outra...
- Olá! - largámo-nos no instante em que ouvimos uma voz feminina vinda do areal. Olhámos os dois para lá... era a Beatriz.
- Só mesmo esta... - desabafou o David.
- Que é que se passa Beatriz? - gritei-lhe dentro de água.
 - Venham cá fora por favor... preciso de ajuda.
- Oh mãe...
Começamos os dois a nadar até que conseguimos colocar os pés na areia. Saimos da água e aquela sanguessuga fez questão de olhar de cima a baixo o David.
- De que é que precisa? - perguntou ele colocando as mãos nas ancas,
- Ah! Deixem estar... já consegui. Tinha o cabelo preso no botão da camisa.
- Continuas a mesma não é Beatriz?
- Parece que tu é que mudas-te bastante, menina Marta.
- Felizmente o meu cérebro funciona.
- Que bom para ti... vemo-nos por aí David - ela chegou pero dele e deu-lhe um beijo na bochecha.
Ela deu meia volta e foi embora.
- Continua a mesma Beatriz de sempre - comentei.
- Só sei que o simples facto de ela existir irrita... ela não desgruda.
- E tu não lhe dás trela... olha se o fizesses.
- Estou a ver... - eu comecei a ir até às nossas coisas mas fui surpreendida e assustada com a atitude do David.

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