quinta-feira, 22 de março de 2012

2º Capitulo: Dificuldades com a sorte

- Marta? Marta?! - ouvia chamarem-me, doía-me a cabeça e abri os olhos - finalmente, estava a ver que tinha de lhe mandar um balde de água em cima - era o nadador-salvador. Ele ajudou-me a sentar.
- Que é que aconteceu? - perguntei.
- Não se lembra?
- Eu lembro-me que estava a vir do café e alguém gritou cuidado.
- Levou com uma bola na cabeça e desmaiou.
- Por favor, trata-me por tu senão parece que tenho 40 anos.
- Ok - ele começou a rir-se e eu também, mas depressa parei com as dores de cabeça que tinha.
- Au! - queixei-me.
- Dói-te a cabeça?
- Um bocado.
- Eu vou buscar gelo.
- Obrigada.
Ele levantou-se e ainda me deixou mais tonta... ele é mesmo lindo.
Passado um bocado ele voltou, entregou-me o gelo e sentou-se a meu lado.
- Com que então pouco trabalho... - disse ele.
- Eu sou um bocadinho distraída, desculpa.
- Achas?! Não faz mal nenhum... Deixa lá ver como é que isso está - ele colocou-se de joelhos e retirou-me o gelo da mão - vai ficar aí com um belo galo.
- E belas dores de cabeça - agarrei outra vez no gelo e coloquei-o na cabeça, foi aí que dei falta dos meus pertences - David, a minha carteira e o telemóvel?
- Bela memória, sim senhora...
- Hã?
- Não te esqueces-te do meu nome.
- Foste a única pessoa com quem falei hoje... é fácil - ele riu-se e retirou do bolso as minhas coisas - obrigada - eu tentei colocar-me em pé, mas vi tudo à roda e acabei por cair em cima dele - Ai, desculpa! - tentei sair de cima dele, mas perdi as forças nos braços e mandei-me para a areia.
- Andas-te nos copitos, tu - brincou ele - anda, eu ajudo-te.
Ele estava à minha frente, eu sentei-me e dei-lhe as mão. Ele ajudou-me a manter-me em pé. Ao inicio via tudo à roda mas passado um bocado estava tudo normal.
- Pronto já só vejo um David - disse.
- Então vias mais que um? - ele largou-me e eu cambaleei um bocadinho e agarrei-me à cintura dele - não devia ter-te largado.
- Vais ter de largar...
- Agora és tu que me estás a agarrar.
- Tens razão.
- Mas eu agarro-te na mesma - e colocou as suas mãos na minha cintura.
Olhei-o nos olhos e fixamos o nosso olhar um no outro durante algum tempo.
- Marta?! - uma voz feminina  chamava-me. Olhei para onde a voz vinha, larguei o David, assim como ele me largou a mim.
- Liliana!! - era a minha grande amiga... somos quase como irmãs.
Comecei a caminha com alguma pressa até ela mas comecei a ver tudo à roda e acabei por me sentar na areia. Vi a Liliana aproximar-se.
- Que se passa, Marta? - perguntou ela.
- Ela levou com uma bola na cabeça e desmaiou. Ainda deve estar meia zonza - era o David.
- Ajudam-me a por em pé?
- Anda - a Liliana esticou as suas mãos e o David segurou-me pela cintura e os dois mantiveram-me em pé.
- Quando é que eu deixo de ver tudo à roda, David?
- Daqui a nada... não te podes por é a fazer a mini-maratona.
- O Sr. é que manda.
- Agora que já tens alguém que tome conta de ti, eu vou voltar para o meu posto.
- Obrigada por tudo.
Eu e a Liliana fomos até à minha toalha.
- Onde é que andas o resto do pessoal? - perguntei depois de nos sentarmos na toalha.
- Eles devem aparecer lá para a tardinha, ontem à noite andaram na brincadeira é o que dá!
- É o normal... então e tu como é que estás? Eu tinha muitas saudades tuas... - e dei-lhe um encontrãozinho.
- Há praticamente um ano que não nos víamos, miúda!
- Desde que foste a Lisboa...
- Ya... ainda bem que decidiste voltar cá abaixo.
- Já estava na altura... mas vá, conta lá as novidades.
- Esta tudo na mesma... vou fazer 4 anos com o Afonso, continuamos a viver juntos e estamos a pensar, MAS é só PENSAR, em ter um bebé.
- A sério?! - exclamei surpresa e com muita felicidade.
- Sim... estamos a pensar, mas ainda temos muito tempo... olha lá - desta vez deu-me ela um encontrãozinho - já te estás a meter com o nadador-salvador?
- Achas?! Eu não tenho sorte nenhuma com rapazes, comigo é relações super falhadas... além do mais um pão daqueles deve ter namorada.
- Marta, tens de perceber que as tuas relações são falhadas porque tu não te envolves com ninguém a serio, por isso tenta ali com o borrachão porque ele não tem namorada.
- Como é que sabes?
- O Afonso dá-se com ele... mas se queres alguma coisa é melhor despachares-te senão aquela ainda se faz ao pão - e ele apontou para o David. Ao pé dele estava a Beatriz, a rapariga que eu sempre odiei e que me estragava os planos todos.
- Ainda é viva?!
- E continua a mesma de sempre.
- Minha Santa Senhora do Céu.
Fiquei a observar aquele quadro e a situação era sempre a mesma - ela a tentar alguma coisa e o David a dar-lhe para trás.
Fiquei na praia até escurecer e encontrei os meus amigos.
Quando fui para casa fui tomar um duche e vesti uma roupa super prática.
Vesti o bikini uma vez que depois de jantar ia até à praia e nunca se sabe... sou bem capaz de me meter dentro de água.
Depois de me despachar fui fazer o jantar e quando estava pronto comi.
Depois de jantar arrumei a cozinha, peguei nas chaves de casa e saí de casa. Tranquei a porta e meti as chaves no bolso e caminhei até à praia.
Não tinha nada combinado com o pessoal e não me apetecia nada ir para sitios barulhentos.
Quando cheguei à praia esta estava deserta e linda com o reflexo da lua no mar.
Caminhei até ao areal e sentei-me à beira-mar.
Estava completamente envolvida em recordações e todas elas iam para aos meus pais... não me contive e comecei a chorar. Olhava o mar calmo, completamente distraída:
- É um crime uma rapariga estar sozinha por aqui... - ouvi uma voz masculina e assustei-me a valer.

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NOTA: consulta o separador "Personagens" para conheceres as novas.

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