sexta-feira, 30 de março de 2012

5º Capitulo: Tentar abrir o coração.


O David estava à minha frente e eu simplesmente o puxei para mim e beijei-o, sem mais nem menos. Não me pareceu que ele não quisesse, muito pelo contrário.
Quando eu terminei o beijo ficámos os dois a olhar um para o outro.
- Eu tenho de voltar para terra antes que a policia marítima venha aí.
Eu sorri-lhe e ele saiu de água. Eu continuei por lá... nadei bastante pois não sabia o que fazer quando saísse de água.
Quando sai, fui até à toalha e a Inês e o Nando estavam a falar sobre qualquer coisa que ia haver hoje à noite.
Eu não tomei muita atenção a isso, simplesmente me queria deitar e não queria falar com o David... não que não quisesse fazer o que fiz, mas não sabia o que lhe dizer.
- Estiveste muito bem dentro de água, menina Marta - disse a Inês ao meu ouvido.
Eu olhei-a e ela piscou-me o olho.
- Viste?
- Acho que meia praia viu... pronto as pessoas que cá estão, já que não está muito cheia.
- Ai... que vergonha.
- Vergonha, Marta? Quantas raparigas queriam fazer o que tu fizeste!?
- Sei lá... e agora? Eu não vou conseguir falar com ele...
- Vais sim... tu consegues, eu sei que sim.
- E se não conseguir?
- Ele consegue.
- E o que é que eu faço?
- Vens connosco à festa hoje à noite.
- Que festa?
- Aqui na praia... logo à noite.
- Ele deve cá estar...
- E? Sempre podem falar e já que gostam tanto do mar, podem dar um passo em frente.
- Que passo Inês?! Eu não vou dar passo nenhum...
- Não é desta que arranjas um namorado?
- Penso que não.
- Sempre é melhor pensar que não e depois arranjares.
- És tão casamenteira, tu!
- Eu sei que sim... o amor faz destas coisas - ela olhou para o Nando que mais parecia estar a dormir.
- Uiii.
- Mas como é? Vens à festa connosco, certo?
- Sim... não é que me apeteça fazer de velinha, mas pode ser que me faça bem...
- Vai fazer milagres.
- A ver vamos.
Ficamos na praia até à hora de almoço e depois levei-os a almoçar numa esplanada bastante agradável e andámos a passear a tarde toda.
Voltamos a casa eram 18:55h. Enquanto eles foram tomar duche e prepararem-se para a festa eu comecei a preparar o jantar. Quando eu fui tomar duche e vestir-me eles ficaram a olhar pelo jantar e a meter a mesa.
Jantámos tranquilamente e depois de arrumarmos a cozinha fomos os três para a praia.
Quando lá chegámos já lá estava bastante gente. Havia um DJ, uma fogueira e o café da praia estava aberto. O ambiente era de diversão e esperava-nos uma noite de dança.
Fomos para o areal e encontramos os meus amigos. Apresentei-os à Inês e ao Nando e começámos a dançar.
A música estava contagiante, super animada e toda a praia dançava.
- Agora para aqueles mais românticos, uma músiquinha ligeira - anunciava o DJ.
Começaram a formar-se casalinhos para dançar e eu fiquei de parte... não tinha par para dançar... não existia a outra parte de mim para dançar, não havia casalinho.
- A menina dá-me a honra desta dança - disseram-me ao ouvido e a voz não podia ser mais familiar... era o David.
Eu virei-me para ele e assenti-lhe com a cabeça. Ele colocou as suas mãos na minha cintura e eu enrolei os meus braços no seu pescoço.
Deixamo-nos levar pela música, acabando mesmo por nos beijar novamente. A segunda vez no mesmo dia.
Quando a música acabou senti uma vontade enorme de fugir, mas o David agarrou-me na mão e começou a caminhar.
Eu fui com ele e só paramos quando chegámos às rochas.
Tínhamos o mar mesmo ao pé de nós e vista privilegiada para a festa.
- Espero que não fujas mais, Marta.
- Desculpa David... é muito complicado...
- Porque?
- Porque eu o torno muito mais complicado do que é...
- Tu?
- Sim... eu devia me deixar levar pelos momentos e começar relações, mas quando alguém tenta eu fujo sempre.
- E vais começar a fugir menos ou não?
- Eu estou disposta a tentar... mas eu não sei - eu sentei-me e ele fez o mesmo.
Ficamos os dois a olhar um para o outro e eu coloquei a minha cabeça no seu ombro.
- Eu só queria ter a certeza que não perdia alguém de quem eu goste mesmo.
- E porque achas que isso pode acontecer?
- Por causa do que aconteceu aos meus pais... desde essa altura que eu sou assim.
- É compreensivel... mas tu tens de tentar, nem que seja só um amor de Verão.
Eu olhei-o e os olhos dele brilhavam tanto como o reflexo da lua no mar.
- Eu adorava tentar... - aproximei-me mais dele e beijei-o.
Ao inicio foi um beijo calmo, mas acabou por se tornar um beijo escaldante, carregado de desejo.
Fiquei sentada no meio das pernas dele, virada para o mar, com ele a beijar-me o pescoço.
- David... eu queria pedir-te uma coisa.
- Diz.
- Perdoa-me por qualquer coisa que eu tenha feito.
- Não fizeste nada de mais...
- Tenta compreender atitudes minhas mais complicadas, sim? Eu vou tentar não ser tão fechada... mas é complicado.
- Eu vou perceber tudo... não te preocupes.
Ficamos algum tempo ali os dois num completo silêncio, mas que serviu para nos aproximarmos mais.
Acabamos por voltar para a praia mas como não poderia deixar de ser, e como qualquer pessoa que se preste a mostrar todo o seu plástico ao mundo, tinha de estar presente nesta festa.
Ainda nem tínhamos chegado onde a multidão estava, já a Beatriz se estava a aproximar de nós toda senhora do seu nariz. 

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